Fumos e filtros

Um passageiro saberia reconhecer uma ocorrência de fumo?  Quais são os sinais de aviso?

    Na aviação, há muitos cheiros diferentes.  Os fumos de escape dos jactos no solo vindos de um avião a rolar à frente são um exemplo clássico de fumos de combustível, mas não de fumos de óleo.  Há fumos de fornos quando os fornos ficam muito quentes. Há fumos eléctricos quando os componentes eléctricos ficam muito quentes e derretem.  E há fumos de óleo das linhas de sangria de ar purgado. 

    A maioria das pessoas imaginaria que os componentes do óleo seriam filtrados, mas o que é incrível é que as linhas de ar purgado não são filtradas — excepto, como observou sombriamente um advogado, pelos pulmões dos passageiros.

    Existem filtros no avião em si, mas não nas linhas de ar purgado.  Os fabricantes dos aviões, muito prestáveis, colocam estes filtros dentro dos aviões para filtrar o ar, mas só o ar que já se encontra no avião.

    Os fumos de óleo já foram descritos como cheirando a "cão molhado", ao "interior de sapatilhas" ou a "vomitado".  Os fumos também podem ser visíveis e são muitas vezes comunicados num avião como o BAe 146 como uma névoa azul visível. 

    É necessário que se saiba que inalar fumos de óleo visíveis pode ser extremamente perigoso devido à concentração de produtos químicos, havendo muitos tripulantes que já ficaram gravemente doentes devido à inalação repetida destes fumos — mais ou menos como um risco profissional. 

    A maioria das pessoas concordará que uma baforada de fumos durante alguns minutos poderá não causar graves problemas de saúde, mas quando estamos a inalar fumos repetidamente durante muitos milhares de horas, como quando fumamos, vamos sofrendo uma morte lenta.  

    Há outros factos quase inacreditáveis. 

    Uma vez aceite que os fumos tóxicos podem constituir um problema, não seria talvez boa ideia ter detectores de fumos tóxicos a bordo de um avião, juntamente com todos os sistemas electrónicos de entretenimento que hoje em dia parecem tão essenciais?

    Muitos ficarão chocados ao saber que, à parte os detectores de fumo existentes nos lavabos, não existem detectores nas linhas de ar purgado.  Se e quando há entrada de ar tóxico, cabe aos pilotos, à tripulação da cabina ou aos passageiros cheirá-lo com os seus próprios narizes e alertar que cheira mal, e compete depois aos pilotos tentar isolar a linha de ar purgado avariada, o que, num avião com quatro motores, demora algum tempo uma vez que cada motor fornece ar purgado.

    E a protecção contra os fumos?  Bem, não se preocupem, porque os pilotos e a tripulação de cabina têm máscaras de oxigénio que devem colocar, embora seja inacreditável a forma como muitos pilotos preferem inalar os fumos, totalmente ignorantes das suas propriedades tóxicas.  Eu fi-lo durante 16 anos. 

    E os passageiros?  Com certeza que têm o seu próprio fornecimento de oxigénio suspenso (com a inclusão previdente de máscaras extra)? De facto, este sistema destina-se a ser utilizado apenas nas descidas de emergência, quando há uma falha repentina de pressurização e o avião tem que descer rapidamente para 10.000 pés. 

    Em qualquer caso, este oxigénio está misturado com ar ambiente contaminado e dura apenas 20 minutos.  Isto deixa os passageiros sem qualquer protecção contra a exposição às ocorrências de fumos tóxicos.  As simples máscaras faciais com carvão activado conferem uma certa protecção.

    É possível imaginar o efeito dos fumos tóxicos numa mulher grávida e no feto em desenvolvimento.  Há registos de fumos que causaram danos permanentes em muitos infelizes; porém, como as ocorrências de fumos continuam a ser vistas como "não ocorrências" pelos reguladores e pelas companhias aéreas, a maioria das pessoas será afectada mas nunca o saberá.




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