Silêncio de embasbacar sobre os efeitos na saúde

Então porque é que a síndrome aerotóxica não é aceite?  Não deve surpreender muito saber que a indústria tem o hábito de trabalhar em conjunto em certas questões e de ter grupos de interesses.  Pode argumentar-se que a indústria aeronáutica inicia o problema ao conceber um sistema imperfeito em que o óleo e o ar se podem misturar.  Mas de quem é a culpa? Do fabricante do motor?  Do fabricante da estrutura do avião? Da indústria petrolífera?  Do fabricante dos vedantes?  Da indústria da saúde?  Definitivamente não das companhias aéreas, embora também elas façam parte do encobrimento.  Muitas pessoas devem conhecer os terríveis efeitos da inalação repetida de fumos de óleo.  Contudo, a inalação destes fumos só parece afectar de uma forma muito negativa cerca de 30 por cento das pessoas.  Não as mata, deixa-as apenas meias mortas.
    Entretanto, entidades como a Autoridade da Aviação Civil (CAA) do Reino Unido e a Administração Federal da Aviação (FAA) dos EUA estão lá para proteger as companhias aéreas, e portanto, apesar de todas as provas esmagadoras, continuam a considerar que inalar fumos de óleo não causa problemas de saúde a longo prazo e que não existem provas destes efeitos nocivos.
    O sistema médico é perito em diagnosticar erradamente os sintomas de envenenamento por OP, que são conhecidos há cerca de 100 anos: fadiga crónica, problemas de memória, espasmos musculares, problemas respiratórios, dificuldades da fala e muitos outros problemas neurológicos associados a danos no sistema nervoso central.  Os diagnósticos errados frequentes são de "stress" crónico, um "vírus" ou simplesmente "desconhecido", e tratamentos incorrectos com antidepressivos e antibióticos acabam por completar o círculo de engano e manter as rodas da indústria médica sempre a rolar. 
    Os pilotos e a tripulação de cabina encontram-se numa situação em que sempre perdem. São muitas vezes atraídos para um emprego encantador que lhes permite viajar muito, que tem as suas componentes de respeito e de competência técnica, mas em breve a maior parte da tripulação descobre que a realidade é bem diferente.  Muitos tripulantes começam a voar e fazem-no durante alguns anos antes de se retirarem... exaustos.  Este é o acordo; e depois de saírem dos seus empregos, a sua saúde nunca mais é acompanhada, deliberadamente, o que perpetua o embuste.
    Como tripulantes, normalmente têm uma preparação física superior à média quando começam a voar, mas rapidamente se transformam em "zombies", "vegetais" ou ficam "permanentemente intoxicados".  A norma é que continuem durante tanto tempo quanto possível, normalmente sem saber, passem a "tempo parcial" para tentar limitar a exposição antes de “falharem”, e serem enganados por um sistema médico que deliberadamente faz tudo o que é possível para lhes analisar o sangue — geralmente com o resultado de que, se é vermelho, está bem!  Se fossem efectuadas análises mais complexas, não só ao sangue mas também às reservas de gordura (onde são armazenadas as toxinas), estas revelariam um cocktail de produtos químicos tóxicos. 
    Não seria necessário um grande engenho para provar a exposição aos OPs nos tripulantes e passageiros de um avião a jacto "moderno".  No espaço de meses poderia haver uma análise de sangue de rotina que não só mostrasse a exposição mas que também informasse a pessoa a quem o sangue pertence sobre o tempo exacto de exposição.  Será que então qualquer semelhança entre problemas de saúde graves e o tempo de voo seria pura coincidência?  A resposta a esta questão por parte das companhias aéreas e das autoridades é a de preferir nem sequer falar sobre o assunto, como se o silêncio fizesse a questão desaparecer.  Chama-se a isto negação. 
    A norma profissional de mistura contínua de diferentes voos impede muitos tripulantes de identificarem a sua doença comum.  E os médicos falham totalmente quando se trata de aplicar a química básica a uma questão prática conhecida. 
    Existe também uma atitude de "consigo fazer" ou de "competência" entre os pilotos, em que a conclusão de uma missão é essencial não só para a companhia aérea a que pertencem mas também para a sua sensação de satisfação profissional. Como pilotos profissionais, curiosamente o único resultado que queremos ver são voos mais seguros e o fim da negação.



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