O dever de cuidar por parte das companhias aéreas

Neste momento há, portanto, dois aspectos distintos: o envenenamento e o encobrimento. 

    Por agora, contudo, devíamos compreender que há soluções técnicas que poderiam ser adoptadas:

• filtrar o ar purgado;
• instalar detectores de fumos tóxicos;
• retirar os OPs do óleo dos motores a jacto.

É chegada a altura de os patrões das companhias aéreas serem questionados sobre um dever de cuidado básico para com os seus tripulantes e clientes, nem que seja para verificar se compreendem a importância da emergente e imparável ciência,.

    Embora a indústria das companhias aéreas e as autoridades preferissem obviamente a "abordagem incremental do vai-devagar", no entretanto há um enorme número de problemas de saúde que está a ser diagnosticado erradamente e vidas que estão a ser destroçadas, porque se permite que uma falha de um sistema continue e não seja em grande parte verificada e as companhias aéreas não avisam sobre os danos e riscos prováveis, que se sabe agora resultam da exposição. 

    No entanto, muitos professores e médicos da aviação ainda duvidam dos pilotos quando estes descrevem os sintomas.  Mesmo quando são convidados a sentar-se num BAe 146 em terra, inalando fumos de óleo visíveis, afirmam que não seria "ético".

    Estão actualmente a decorrer três casos nos tribunais nos EUA, em que tanto os tripulantes como os passageiros estão a processar a Boeing por problemas de saúde prolongados resultantes da síndrome aerotóxica.

    O jornal Observer do Reino Unido referiu-se pela primeira vez a "pilotos e passageiros tipo zombies" em 1999; mas o Times, contudo, ainda não mencionou o assunto, nem sequer uma vez, apesar de este ser repetidamente debatido no Parlamento britânico.  Embora muitas pessoas possam ter conhecimento do assunto, poucas têm a capacidade para entender a enormidade da questão e ajudar a pressionar para que sejam adoptadas soluções técnicas. 

    A BBC referiu-se pela primeira vez à síndrome aerotóxica a 24 de Setembro de 2009, após provas conclusivas obtidas por um médico terem estabelecido uma ligação entre os problemas graves de saúde nos pilotos e a inalação de fumos de óleo.  Com uma rapidez impressionante, o establishment respondeu que esta descoberta carecia de uma "avaliação pelos pares".

    Em Novembro de 2007, a Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Lordes recomendou, numa atitude útil, que os produtos químicos existentes nas ocorrências de fumo fossem "urgentemente" identificados.  A BBC, após uma entrevista a 15 de Setembro de 2009, conseguiu determinar que a Universidade de Cranfield, que mantém estreitas relações com a BAE Systems e outras empresas aeroespaciais com um elevado nível ético, publicaria estes resultados urgentes no prazo de seis meses, por volta de 15 de Março de 2010.  Um conveniente relógio de contagem decrescente, juntamente com outras provas equilibradas e únicas, encontra-se no site da Aerotoxic Association na Internet (www.aerotoxic.org) para os media utilizarem como suporte útil para os seus próximos relatos. 

    No entanto, receia-se que os académicos, que adoram a abordagem da "investigação sem fim", prefiram demorar mais 10 anos a chegar à conclusão cautelosa de que a inalação de fumos de óleo num espaço confinado, considerando todos os aspectos, "pode" ser prejudicial.

    O problema é que a aceitação da síndrome aerotóxica correria o risco de arruinar as indústrias aeroespacial e médica.  Exporia, também, muitas universidades dedicadas à investigação que são, de facto, fachadas da negação e que, muito provavelmente, estão no bolso de outras indústrias relacionadas.

    Em 2007, frustrado pela evidência esmagadora, pelo silêncio, pela negação e pela falta de um emprego, iniciei a Aerotoxic Association para que outras vitimas pudessem ser salvas da agonia que eu sofri, particularmente em meados de 2005 imediatamente depois de ter parado de voar.  Quando alguém considera a hipótese de suicídio é porque, claramente, algo de errado se passou.

    Quando é que os tripulantes e os passageiros serão informados da verdade sobre o que se encontra na sua cabine e no seu ar anormal e em geral pouco seguro? Supostamente a 15 de Março de 2010.  ∞

Captain John Hoyte © 2009
Presidente BM Aerotoxic Association
London, WC1N 3XX, UK
www.aerotoxic.org

Artigo da edição de Fev-Mar 2010 da revista Nexus


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