Células HeLa imortais e vodu viral



A nova microbiologia do corpo humano
A “poção” por trás das células HeLa “imortais”
O problema de contaminação das células HeLa
Continua a contaminação de linhagens celulares no século XXI
Vírus de macacos que provocam cancro e a vacina da poliomielite
A ligação das vacinas à origem da epidemia de SIDA
A criação de uma nova espécie
Henrietta Lacks: “A madrinha da virologia”
Transferência horizontal de genes: troca de genes entre formas de vida
Investigação das células HeLa: ciência ou loucura científica?
O legado de Henrietta Lacks
Post-scriptum





Células cancerígenas retiradas de Henrietta Lacks há quase 60 anos e distribuídas a laboratórios do cancro e de vacinas em todo o mundo contaminaram centenas de linhagens celulares em culturas de tecidos humanos e arruinaram décadas de investigação experimental com enormes custos.


A nova microbiologia do corpo humano
Entre as descobertas recentes sobre o corpo humano, uma das mais extraordinárias é que a maioria das nossas células não são células humanas mas sim células de microorganismos.
    Inacreditavelmente, existem 10 vezes mais células bacterianas no organismo do que células humanas. Além disso, muito do nosso ADN é composto por restos virais, conforme descrito pelo escritor Frank Ryan, do New Scientist, em "I, virus: Why you're only half human" [Eu, o vírus: Porque você é apenas metade humano] (29 de Janeiro de 2010).
    Na saúde, a relação entre os micróbios e o organismo é simbiótica (ou seja, as células microbianas e humanas coexistem benignamente para benefício de ambas).
No entanto, quando o delicado equilíbrio entre os micróbios e o homem é perturbado, podem surgir doenças. Existe também evidência crescente de que os microorganismos que transportamos podem estar implicados no cancro e nas doenças crónicas. Apesar de toda esta investigação nova, a maioria dos médicos não acredita que as bactérias simbióticas desempenhem qualquer papel no desenvolvimento de doenças crónicas e do cancro.
    O que é que tudo isto tem a ver com a investigação do cancro e das vacinas realizada nos últimos 50 anos? A resposta é uma série de perguntas. Será que a experimentação com o vírus do cancro e com as vacinas, que utiliza células vivas de origem humana e animal, está a espalhar vírus e bactérias entre diversas espécies?
Será que uma experimentação deste tipo está relacionada com novas doenças e vírus emergentes que estão a aparecer no homem? Ou com a preocupação e a controvérsia crescentes quanto às doenças humanas induzidas por vacinas? Ou com a contaminação com células "HeLa", as células cancerígenas experimentais largamente utilizadas que crescem nos laboratórios do cancro e de vacinas como ervas daninhas?


A “poção” por trás das células HeLa “imortais”
A história da cultura de células de tecidos humanos começou com Henrietta Lacks, uma jovem negra de Baltimore que morreu em 1951 devido a um carcinoma cervical altamente maligno. Apesar da radiação e da cirurgia, o tumor espalhou-se rapidamente. Morreu ao fim de oito meses, aos trinta e um anos de idade. Mas parte do cancro de Henrietta permaneceu vivo. Alguns pedaços do tumor foram retirados durante a cirurgia e subsequentemente doados a um laboratório especializado em cultura de células de tecidos. Nesses tempos, tratava-se de uma actividade frustrante. A maioria das tentativas de fazer crescer células humanas fora do organismo falhava. Raramente, algumas células desenvolviam-se durante algum tempo e depois morriam.
    As células de Henrietta eram mantidas vivas por serem alimentadas com uma mistura que mais se assemelhava a uma "poção das bruxas" do que a uma receita de laboratório para uma cultura de células. No entanto, o sucesso da receita proclamou o início de uma nova era da virologia moderna. Segundo a crónica de Michael Gold em A Conspiracy of Cells (1986) [A Conspiração das Células], a mistura laboratorial era composta por:
1. Sangue de uma placenta humana. (A placenta, que alimenta o feto em desenvolvimento, contém hormonas poderosas e uma porção de vírus e bactérias que ainda não foram totalmente investigados.)
2. Extracto de embrião de bovino (os restos moídos de um embrião bovino de três semanas).
3. Plasma fresco de frango, obtido do sangue do coração de um frango vivo.
    Por algum motivo desconhecido, as células cancerígenas de Henrietta continuaram a crescer vigorosamente. As células não envelheceram. Em vez disso, se fossem devidamente alimentadas, podiam viver e multiplicar-se indefinidamente. Espantosamente, a sua nova "linhagem celular" em cultura de tecidos provou ser "imortal". Estas células malignas tornaram-se a primeira linhagem celular em cultura de tecidos humanos bem sucedida da história da medicina — a agora famosa linhagem celular HeLa a celebrar a lendária HEnrietta LAcks.
    Gold defende que a linhagem celular introduziu alterações revolucionárias (e também um pandemónio) na área da investigação dos vírus do cancro. Os vírus podiam agora ser semeados em tubos de vidro contendo placas de células vivas e, pela primeira vez, os virólogos podiam observar directamente os efeitos da infecção viral nas células vivas.
    Mas o que dizer sobre todos aqueles vírus e bactérias conhecidos e desconhecidos que foram incorporados nas células de Henrietta pela mistura de tecidos e sangue aviário, bovino e humano que alimentou as células dela e as tornou imortais? E o que dizer do vírus do papiloma humano contido nas suas células cancerígenas, que, na década de 1950, não era aceite como uma causa do cancro do colo do útero? Aparentemente não houve nenhuma preocupação científica acerca de nenhuma destas contaminações.


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O problema de contaminação das células HeLa

As células HeLa provaram ser tão resistentes que, quando distribuídas por todo o mundo para vários laboratórios ao longo das décadas seguintes, estas células imortais contaminaram frequentemente outras linhagens celulares em culturas de tecidos utilizadas na investigação do cancro e dos vírus do cancro.
    Em 1974 o especialista em culturas de células, Walter Nelson-Rees (PhD),  descobriu uma contaminação em larga escala de linhagens celulares com HeLa, utilizando um microscópio de luz e uma mancha especial de células com corante Giemsa que revelou as distintas aberrações cromossómicas típicas das HeLa. Como denunciante, ele fez saltar a tampa da investigação do cancro. Quarenta linhagens de culturas de células humanas diferentes, amplamente utilizadas nos laboratórios a nível mundial, estavam contaminadas com HeLa. Milhões de dólares em experiências publicadas sobre a investigação do cancro foram deitados ao lixo. "Células hepáticas" e "células de macaco" utilizadas nas experiências do cancro eram afinal células do carcinoma cervical de Henrietta disfarçadas. Veio a descobrir-se que células benignas que se "transformavam espontaneamente" em células malignas eram, retrospetivamente, culturas de células que tinham sido inadvertidamente contaminadas com HeLa.
    Até mesmo o ícone, Dr. Jonas Salk, que desenvolveu a vacina da poliomielite de Salk, foi enganado quando as células HeLa contaminaram as suas linhagens celulares animais. Salk utilizou células HeLa para desenvolver o vírus da poliomielite e testou a vacina em células HeLa antes de ser utilizada pela primeira vez em seres humanos em 1955. Anos mais tarde, em 1978, perante uma audiência estupefacta de especialistas em biologia celular e fabricantes de vacinas, falou das experiências que tinha feito em finais da década de 1950 com doentes terminais com cancro. Salk injectou estes doentes com uma linhagem celular de tecido de coração de macaco — a mesma linhagem celular que utilizou para colher o vírus da poliomielite para a sua famosa vacina. Esperava que as injecções de células de macaco estimulassem o sistema imunitário a lutar contra o cancro. No entanto, quando se desenvolveram abcessos no local das injecções, Salk começou a suspeitar que podia estar a injectar células HeLa em vez de células de macaco e por isso parou a experiência.
    Nelson-Rees, que também esteve presente na conferência de 1978, ofereceu-se para testar a linhagem de Salk caso ainda estivesse disponível. Salk amavelmente concordou e as células de macaco provaram ser de facto células HeLa que tinham invadido e controlado a linhagem celular de macaco. De acordo com o autor Michael Gold, Salk pensava que havia maneiras adequadas de separar os vírus das linhagens celulares de tecidos, pelo que não teria importância qual o tipo de células utilizadas. Mesmo que as vacinas não fossem filtradas e mesmo que células cancerígenas inteiras fossem injectadas directamente num ser humano, Salk acreditava que seriam rejeitadas pelo organismo e que não causariam danos. Nesses tempos, os médicos não acreditavam muito em vírus que provocam o cancro. Actualmente, nenhum investigador ousaria injectar células cancerígenas num ser humano. Mas na década de 1950, Salk fê-lo acidentalmente. Injectou células HeLa cancerosas em algumas dezenas de doentes e não se preocupou minimamente com isso.
    Nelson-Rees e os seus co-autores, na comunicação "Henrietta Lacks, HeLa Cells, and Cell Culture Contamination" (Archives of Pathology & Laboratory Medicine, Setembro de 2009), concluem: "Apesar de terem passado quase 50 anos desde que o problema da contaminação de culturas de tecidos com células HeLa surgiu pela primeira vez e apesar dos avanços explosivos da biologia molecular, a contaminação de culturas de células continua a ser uma questão importante para a comunidade científica. O problema ultrapassa em muito as células HeLa, embora elas continuem a ser uma das culpadas. Num estudo, 45 de 252 linhagens celulares humanas (18%) fornecidas por 27 de 93 originadores (29%) estavam contaminadas... Felizmente, houve recentemente uma chamada de atenção no sentido de serem tomadas medidas para evitar as linhagens celulares contaminadas". A Wikipédia disponibiliza actualmente uma longa "Lista de linhagens celulares contaminadas".


Continua a contaminação de linhagens celulares no século XXI
A 15 de Janeiro de 2010, a BBC News noticiou que a contaminação celular continua a ser um problema na investigação do cancro e que dezenas de estudos sobre o cancro podem vir a ser considerados duvidosos por se ter descoberto que os investigadores utilizaram inadvertidamente o tipo errado de células cancerígenas. As linhagens celulares, de acordo com uma comunicação publicada no Journal of the National Cancer Institute (publicação electrónica de 14 de Janeiro de 2010), foram fornecidas como amostras de cancro esofágico. No entanto, os testes revelam que contêm outros tipos de tumores, incluindo do pulmão e do intestino. Os autores da comunicação, do Centro Médico Universitário de Roterdão, observaram que isto podia lançar dúvidas sobre importantes ensaios com fármacos. Afirmaram: "Os resultados experimentais baseados nestas linhagens celulares contaminadas levaram a ensaios clínicos em curso com recrutamento de doentes, a mais de 100 publicações científicas e pelo menos a três bolsas de investigação na área do cancro e 11 patentes dos EUA — o que realça a importância das nossas descobertas". Segundo eles, o uso generalizado destas linhagens celulares pode ameaçar o desenvolvimento de novos tratamentos.
    A 31 de Janeiro de 2010, a ABC News (EUA) emitiu um relatório intusiástico sobre "Como as células de uma mulher alteraram a medicina". O professor de microbiologia da Universidade de Columbia, Vincent Racaniello, defendeu que as células HeLa conduziram a alguns dos mais importantes avanços médicos dos últimos 100 anos. A ABC lembra-nos que estas células imortais, biliões e biliões delas, foram utilizadas pela primeira vez na investigação que conduziu à vacina da poliomielite; contribuíram para o desenvolvimento de medicamentos para lutar contra o cancro, a gripe e a doença de Parkinson e para a investigação que conduziu ao mapeamento e à clonagem genéticos. Foram também utilizadas para testar os efeitos da radiação atómica e enviadas para o espaço. "Acho que devemos estar muito gratos por aquilo que a Henrietta nos deu", afirmou Racaniello. "Não há dúvida nenhuma sobre isso".
    A 5 de Fevereiro de 2010, a Popular Science online declarou que Henrietta Lacks era "a mulher mais importante da história da medicina".


Vírus de macacos que provocam cancro e a vacina da poliomielite
Os cientistas dizem-nos que o VIH é o primeiro vírus de macacos a "saltar entre espécies", causando a pandemia da SIDA. A verdade raramente divulgada é que um vírus de macaco que provoca o cancro saltou espécie e passou para o homem, há mais de meio século, quando foram administradas vacinas da poliomielite contaminadas a milhões de pessoas na década de 1950, incluindo metade da população dos EUA dessa altura.
    No início da década de 1960, descobriu-se que alguns lotes de vacinas da poliomielite, fabricados em tecido de rim de macaco rhesus durante o período de 1955 a 1963, estavam contaminados com um vírus de macaco chamado vírus símio 40 (SV40). Comprovou-se, rapidamente, que este vírus de primata provocava vários cancros em animais experimentais. No entanto, até à data, os funcionários governamentais de saúde pública continuam a insistir que não existe nenhuma prova absoluta de que o SV40 provoca cancro no ser humano.
    Apesar da negação, estudos genéticos e imunológicos realizados por investigadores independentes na última década indicam que o SV40 está claramente associado a certos cancros, como por exemplo os cancros fatais de desenlace rápido do pulmão (mesotelioma), o cancro da medula óssea (mieloma múltiplo) e tumores cerebrais nas crianças.
    De acordo com uma notícia do Washington Times (21 de Setembro de 2003): "Algumas das vacinas da poliomielite administradas a milhões de crianças americanas entre 1962 e 2000 podiam estar contaminadas com um vírus de macaco que é detectado em alguns cancros, de acordo com documentos e testemunhos a entregar a uma comissão da Câmara [na] quarta-feira. O fabricante das vacinas afirmou que tais afirmações 'não têm qualquer validade' e os Centro de Controlo e Prevenção das Doenças (CDC) concorda".
    Encontram-se mais informações sobre o processo das vacinas da poliomielite e a contaminação por SV40 em www.sv40cancer.com.
    Para alguém que ainda pense que os fabricantes de vacinas e os funcionários da saúde pública são sempre nossos amigos, recomendo vivamente o livro The Virus and the Vaccine: The True Story of a Cancer-Causing Monkey Virus, Contaminated Polio Vaccine, and the Millions of Americans Exposed (2004) [O Vírus e a Vacina: A verdadeira História de Um Vírus de Macaco Causador do Cancro, da Vacina de Pólio Contaminada e dos Milhões de Americanos Expostos], de Debbie Bookchin e Jim Schumacher. O livro explora a história da vacina da poliomielite, os problemas de contaminação com o SV40, os problemas de cancro relacionados com a vacina que se seguiram e o encobrimento do problema pelo Governo.
    Poucas pessoas se apercebem de como as vacinas podem ser perigosas e de quão complicado é na realidade o seu processo de fabrico, especialmente quando as vacinas são produzidas em células vivas animais ou humanas. A contaminação com bactérias, micoplasmas e vírus e a sua eliminação do produto final são problemas constantes durante o processo de desenvolvimento. Há também suspeitas de que os meios laboratoriais utilizados na alimentação das culturas de células possam ser uma fonte de contaminação. Para mais pormenores sobre os perigos das vacinas, ver o meu artigo "Are Vaccines Causing More Diseases Than They Are Curing?" [Estão as Vacinas a Causar Mais Doenças do que Curam?], disponível gratuitamente na Internet.


A ligação das vacinas à origem da epidemia de SIDA
Na minha opinião reconhecidamente controversa, o VIH/SIDA é uma doença fabricada pelo homem, inicialmente semeada exclusivamente na comunidade homossexual dos EUA através de programas de vacinas experimentais contra a hepatite B, contaminadas, levados a cabo no fim da década de 1970. Os pormenores e a evidência da estreita relação entre a vacina e o aparecimento dos primeiros casos de SIDA em 1979, são explorados nos meus livros AIDS and the Doctors of Death e Queer Blood. É fácil procurar no Google as palavras "man-made AIDS" para encontrar na Internet vários artigos sobre este assunto tabu.
    Desde a publicação destes livros, apareceu um vídeo no youtube.com com Maurice Hilleman (PhD), um dos principais especialistas em vacinas a nível mundial. Hilleman tornou-se famoso na empresa farmacêutica Merck por melhorar a vacina contra a poliomielite de Salk e por insistir que não fossem utilizadas células de rim de macaco na produção da vacina uma vez que se sabia que provocavam cancro nos hamsters. O coroar do seu trabalho teve lugar em 1971, altura em que desenvolveu a vacina MMR, isto é, a vacina contra o sarampo, a papeira e a rubéola utilizada universalmente e que é o pilar da saúde pediátrica nos Estados Unidos.
    O Dr. Hilleman dedicou-se depois ao desenvolvimento da vacina da hepatite B. Uma série de ensaios com vacinas experimentais, utilizando homossexuais como cobaias, teve lugar em Manhattan, Cidade de Nova Iorque, em 1978 — e os primeiros casos de SIDA foram aí noticiados uns meses depois do início das injecções.
    No segmento do vídeo Merck Chief Brings HIV/AIDS to America, ouve-se Hilleman a falar com os colegas e a declarar: "Trouxe para cá [macacos] verdes africanos. Não sabia que estávamos a importar o vírus da SIDA na altura [isto é, entre 1970 e 1974]". Ouvem-se os colegas a rir. Uma voz de homem diz: "Foste tu que introduziste o vírus da SIDA no país". E uma voz de mulher a rir: "Agora já sabemos".
    Esta entrevista impressionante, conduzida pelo Dr. Edward Shorter para a televisão pública WGBH e para a Blackwell Science, foi cortada do documentário The Health Century devido a questões de responsabilidade civil: sem dúvida que teria dado uma má imagem da Merck, que desenvolveu a vacina que foi injectada nos homossexuais. Estamos em dívida para com Leonard G. Horowitz (DMD), um dos poucos profissionais de saúde que denuncia as questões das vacinas e da SIDA fabricada pelo homem, por revelar e distribuir gratuitamente este segmento do vídeo.
    Tal como sucede muitas vezes aos denunciantes, Walter Nelson-Rees foi empurrado para fora do seu laboratório por elementos poderosos do sistema científico instalado, sem dúvida zangados com a perturbação para a investigação do cancro e com todo o dinheiro perdido devido às células HeLa contaminantes.
    Em 1999, o jornalista britânico Edward Hooper escreveu um livro maciço chamado The River, no qual teoriza que as vacinas da poliomielite desenvolvidas em tecido de primatas podiam ter sido contaminadas com vírus de macacos, dando assim origem ao surto de SIDA em África. Esta teoria foi uniformemente rejeitada pelos cientistas que assistiram à conferência "Origin of AIDS" em Londres, em Setembro de 2000. Hooper continua a afirmar que existe uma conspiração para silenciar todos os aspectos da sua hipótese.
    No início de 2000, Nelson-Rees, que era manifestamente homossexual, interessou-se avidamente pela extensa investigação de Hooper sobre a SIDA. Juntamente com Hooper, falou na conferência de Londres onde a ligação entre a vacina da poliomielite e a SIDA foi rejeitada. Embora retirado da ciência, Nelson-Rees continuava a ser muito respeitado e foi-lhe permitido apresentar as suas opiniões.
    Quando Walter Nelson-Rees morreu em Janeiro de 2009, com 80 anos, Hooper escreveu um obituário comovente intitulado "The Death of an American Hero"[A Morte de Um Herói Americano] (disponível em www.aidsorigins.com). Hooper recorda: "Walter fez um discurso velado embora poderoso intitulado 'Responsabilidade pela verdade na investigação', no qual referiu que continuavam a registar-se casos de contaminação laboratorial cruzada e afirmou que, na sua opinião, não havia nenhum motivo lógico pelo qual não pudessem ter sido utilizadas células de chimpanzé para fazer a vacina do Congo, 'dada a disponibilidade destas células normais não humanas e o costume prevalecente na década de 1950 de se utilizarem células sobre as quais pouco ou nada se sabia a não ser que conseguiam suportar optimamente o crescimento de um dado vírus'".
    A ideia de SIDA fabricada pelo homem e de vacinas contaminadas é tão explosiva que normalmente é desdenhada pelos principais meios de comunicação social como uma "teoria da conspiração". Mas a teoria quase destruiu a corrida de Barack Obama à Casa Branca nas eleições de 2008.
    Uma entrada na Wikipédia relativa ao Dr. Leonard Horowitz diz o seguinte: "A 27 de Abril de 2008, um moderador fez a seguinte pergunta ao Reverendo Jeremiah Wright, antigo pastor de Barack Obama, no National Press Club, durante a sessão de perguntas e respostas relacionadas com a controvérsia generalizada sobre as suas opiniões: 'No seu sermão, disse que o Governo mentiu acerca de inventar o vírus VIH como um meio de genocídio contra as pessoas de cor. A minha pergunta é: Acredita honestamente na sua declaração e nessas palavras?' Wright respondeu: 'Já leu o livro de Horowitz, Emerging Viruses: AIDS and Ebola... quem é que escreveu essa pergunta?... Eu leio coisas diferentes. Tal como disse aos membros do meu grupo, se não leram algumas coisas, então não podem ... com base neste experimento de Tuskegee e com base no que aconteceu aos africanos neste país, acho que o nosso Governo é capaz de tudo".
    Para discussão adicional, ver o meu artigo "Rev. Wright is right about man-made AIDS" [O Reverendo Wright tem razão quanto à SIDA fabricada pelo homem].


A criação de uma nova espécie
Devido à sua capacidade de replicação infinita (desde que sejam devidamente alimentadas) e ao desenvolvimento de um número de cromossomas não humano, as células HeLa imortais são actualmente consideradas por alguns geneticistas como sendo uma criação contemporânea de uma nova espécie. (Uma célula humana tem 46 cromossomas; uma célula HeLa tem 82 cromossomas.) O nome proposto é Helacyton gartleri, em honra do geneticista Stanley Gartler (PhD), que, juntamente com Nelson-Rees, chamou a atenção para a contaminação mundial de culturas de células de tecidos com HeLa.
    Transformadas pelo vírus 18 do papiloma humano que provoca o cancro do colo do útero e por mais de 50 anos de cultura contínua, as várias estirpes de células de Henrietta reproduzem-se e espalham-se por si próprias. Crescendo como ervas daninhas em muitos laboratórios, mais parecem actualmente células de tipo amiba do que células derivadas de um ser humano. As amibas são protozoários unicelulares. Existem várias variedades que se encontram no ser humano e que não são consideradas provocadoras de doenças.
    Há vinte anos atrás, em The Cancer Microbe, escrevi sobre Wilhelm Reich (MD), o investigador do cancro injustamente caluniado e perseguido, que foi condenado e enviado para uma penitenciária federal em Fevereiro de 1957... e foi encontrado morto na sua cela a 3 de Novembro desse ano. Ele acreditava firmemente que o cancro está intimamente associado às bactérias, às quais chamava "bacilos T". Nos tumores cancerosos produzidos artificialmente em animais, Reich observou as células cancerígenas dos animais a transformarem-se em células monstro que se assemelham imenso a minúsculos protozoários e amibas. Reich, na sua época, era frequentemente visto como uma ameaça e um louco. No entanto, tenho a certeza que ele não ficaria surpreendido ao saber que as células cancerígenas de Henrietta adquiriram uma vida própria, à semelhança das amibas que ele estudou extensivamente.
    A criação em laboratório de novas formas de vida não escapou à atenção dos militares, sempre atentos aos potenciais agentes úteis para o desenvolvimento de armas biológicas. A Defense Advanced Research Projects Agency (DARPA) é um braço do Departamento de Defesa dos EUA. A 5 de Fevereiro de 2010, Katie Drummond da Wired.com noticiou: "No Pentágono, o sector da ciência maluca pode estar envolvido no seu projecto mais radical até agora. A Darpa está a preparar-se para rescrever as leis da evolução para benefício dos militares criando 'organismos sintéticos' que podem viver para sempre...
    "...O plano juntaria os mais recentes conhecimentos da biotecnologia para produzir criaturas vivas que respiram e que, através da engenharia genética, 'produzem o efeito biológico pretendido'. A Darpa quer que os organismos sejam fortalecidos com moléculas que reforçam a resistência das células à morte, para que os monstros laboratoriais possam 'ser, em última análise, programados para viver indefinidamente'".


Henrietta Lacks: “A madrinha da virologia”
No fim de Janeiro de 2010, começaram a aparecer críticas literárias sobre um novo livro intitulado The Immortal Life of Henrietta Lacks, de Rebecca Skloot. A autora passou 10 anos a investigar a indústria que rodeia as células HeLa (no valor de biliões de dólares) e entrevistou extensivamente alguns membros sobreviventes da família. A família de Lacks só teve conhecimento da "imortalidade" de Henrietta mais de 20 anos depois da sua morte, quando os cientistas que investigavam as células HeLa começaram a usar o marido e os filhos dela na investigação, sem consentimento informado. E embora as células tenham lançado uma indústria de muitos biliões de dólares que vende materiais biológicos humanos, a família nunca viu nenhuns dos lucros.
    Eric Roston, crítico do Washington Post (31 de Janeiro de 2010), observou: "Quase 60 anos mais tarde, calcula-se que o tecido de Lacks tenha produzido 50 milhões de toneladas métricas de células HeLa. Os investigadores científicos e médicos contribuem com cerca de 300 estudos por mês relacionados com as células HeLa, para a biblioteca de 60.000 estudos. Os membros sobreviventes da família de Lacks souberam do que se estava a passar — e tornaram-se, também, assunto de interesse para os investigadores".
    Numa crítica do New York Times (5 de Fevereiro de 2010), Lisa Margonelli escreveu: "Depois da morte de Henrietta Lacks, as células HeLa tornaram-se virais, por assim dizer, transformando-a na madrinha da virologia e depois da biotecnologia, beneficiando praticamente todos aqueles que já alguma vez tomaram um comprimido mais forte do que a aspirina... As células HeLa ajudaram a construir milhares de carreiras, para já não falar de mais de 60.000 estudos científicos, sendo aproximadamente mais 10 publicados todos os dias, revelando os segredos de quase tudo, desde o envelhecimento e o cancro ao acasalamento dos mosquitos e aos efeitos celulares do trabalho nos esgotos. "Deborah [filha de Henrietta] torna-se a força motora do livro, à medida que Skloot se associa a ela na sua 'luta perpétua para fazer as pazes com a existência dessas células e com a ciência que as tornou possíveis'. Para encontrar a mãe que nunca conheceu, ela leu centenas de artigos sobre a investigação das células HeLa, o que a levou a acreditar que a mãe estava a 'sofrer eternamente' devido a todas as experiências realizadas nas suas células".


Transferência horizontal de genes: troca de genes entre formas de vida
Enquanto as células HeLa se espalhavam pelo mundo e contaminavam as culturas de células, a compreensão da maneira como as formas de vida se relacionavam entre si era reduzida. Actualmente, os cientistas têm mais conhecimentos sobre a forma como os vírus se podem "recombinar" com outros vírus. Os vírus também podem infectar bactérias assim como células humanas.
    Nas duas últimas décadas, os cientistas moleculares têm-se tornado cada vez mais conscientes da existência de troca de genes nas várias espécies de seres vivos e de umas para as outras, das formas mais pequenas às maiores. O processo é conhecido como "transferência horizontal de genes". Estamos familiarizados com a "transferência vertical de genes", em que os descendentes de um organismo herdam os genes do organismo-pai.
    A transferência horizontal de genes na pesquisa do cancro e das vacinas constitui um perigo grave porque as experiências de engenharia genética permitem a disseminação de ADN transgénico perigoso de espécie para espécie. Isto tem implicações tremendas para as teorias da evolução, assim como para a investigação dos vírus do cancro, quando os vírus são movimentados entre várias espécies de animais e por vezes adaptados às células humanas. Era isto, basicamente, que os cientistas andavam a fazer na "Guerra contra o Cancro" durante a década de 1970, o período imediatamente antes da erupção da epidemia de SIDA em 1981 (ver o meu livro AIDS and the Doctors of Death [A SIDA e os médicos da morte]. Para mais informações, introduza simplesmente no Google as palavras "dangerous lateral gene transfer" (transferência lateral de genes perigosa).


Investigação das células HeLa: ciência ou loucura científica?
Tendo-me formado na faculdade de medicina há meio século atrás, estou desiludido com a profissão que escolhi. Passei 40 anos a investigar a causa bacteriana do cancro e a mostrar as bactérias no tecido canceroso, onde, de acordo com os especialistas em oncologia, não é suposto haver nenhumas. Esta investigação pouco ou nenhum interesse suscitou entre os meus colegas. Passei um quarto de século a tentar alertar as pessoas para a evidência de que a SIDA é uma doença fabricada pelo homem, sem resposta dos especialistas em SIDA que ensinam às pessoas que o VIH veio da selva africana para provocar a SIDA.
    O que é que penso efectivamente sobre as células HeLa? As células HeLa são células cancerosas (infectadas com um vírus papiloma que se sabe provocar cancro) às quais foi adicionado o sangue de uma placenta humana, embrião de bovino moído e plasma de frango extraído do sangue do coração de um frango vivo. Trata-se de uma mistura que seria de esperar de alguém que praticasse magia, não boa ciência. Utilizar as células HeLa como uma base, um pilar, um modelo, sobre o qual basear os estudos virais parece-me vodu viral.
    Como é que uma cultura de células infectada como a HeLa pode ajudar na investigação do cancro e das vacinas? A não ser para disseminar os vírus conhecidos e desconhecidos, micoplasmas, bactérias e só Deus sabe que outros agentes potencialmente infecciosos que se encontram nas células de Henrietta e a nova espécie Helacyton gartleri.


O legado de Henrietta Lacks
Em toda a minha investigação para este artigo, entre tudo o que li, a parte que fez mais sentido para mim foi fornecida por um bloguista anónimo que colocou comentários no site do Baltimore Sun (1 de Fevereiro de 2010; reproduzidos aqui com pequenas alterações) relativos ao novo livro de Rebecca Skloot:
    "Foi cometida uma total e completa injustiça contra a família dela para obter estas células e agora algumas células cancerígenas loucas que a MATARAM estão EM TODOS NÓS. É verdade: se já alguma vez tomou uma vacina, tem um pouco de HeLa em si.
    "O cancro matou-a e, de qualquer forma, estas não são células normais, são CÉLULAS CANCERÍGENAS; e se perguntar a um senhor cientista COMO OU PORQUE é que as células dela AINDA ESTÃO VIVAS, eles não sabem, mas eles mantiveram tudo em segredo porque na altura os brancos ter-se-iam oposto a ter células cancerígenas que mataram uma mulher negra INJECTADAS NO CORPO DOS SEUS FILHOS. Sou afro-americano; para mim, a história dela é fascinante e trágica, tal como muitas histórias de pessoas que foram ludibriadas.  
    "Vejamos as coisas desta forma: se fosse necessário pagar à família dela de cada vez que as suas células fossem utilizadas, haveria um registo de quem as recebeu. As taxas de cancro dispararam nos últimos 40 anos; as células dela foram encontradas em locais onde era impossível que estivessem — e mesmo assim os cientistas continuam sem saber porque é que as suas células são 'imortais'... “Se a família dela tivesse sido informada, possivelmente teriam sido tomadas mais precauções com estas células que MATARAM A MÃE DELES, e que, tanto quanto sabemos, podem estar a matar pessoas agora porque não sabemos como funcionam".


Post-scriptum
Está disponível na Internet um excelente vídeo gratuito intitulado The Way of All Flesh, produzido por Adam Curtis, documentarista da televisão britânica. Conta a história de Henrietta Lacks como a "mulher que nunca vai morrer".
    O filme foi premiado com o Golden Gate Award no Festival Internacional de Cinema de São Francisco em 1997.
    A investigação das células HeLa ajudou a influenciar e a iniciar a "Guerra contra o Cancro" do Presidente dos EUA, Richard Nixon, provocando eventualmente o caos entre os virólogos americanos e russos durante a Guerra Fria, na década de 1970, quando foi descoberta a contaminação generalizada de laboratórios com as células HeLa.
    O vídeo está disponível na página de internet
http://video.google.fr/videoplay?docid=8448974573505946013#.


Sobre o autor:
Alan Cantwell (MD) é dermatologista reformado e investigador do cancro e da SIDA. Os seus livros incluem: The Cancer Microbe: The Hidden Killer in Cancer, AIDS, and other Immune Diseases; Four Women Against Cancer; AIDS and The Doctors of Death; e Queer Blood (todos disponíveis em http://www.ariesrisingpress.com, Amazon.com e Book Clearing House [tel. 1800 431 1579] nos EUA).
    Os artigos anteriores do Dr. Cantwell na revista NEXUS são "Bacteria in Stroke and Heart Disease" (vol. 16, n.º 5; ver também Letters no vol. 17, n.º 2), "The Prostate Cancer Bacterial Connection" (vol. 16, n.º 3) e "Do Tuberculosis-Type Bacteria Cause AIDS?" (vol. 15, n.º 5).
    O Dr Cantwell pode ser contactado por e-mail em alancantwell@sbcglobal.net e através do seu site http://www.ariesrisingpress.com.


Notícia original: Nexus 17(3) APRIL – MAY 2010   www.nexusmagazine.com





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